Os fenômenos climáticos extremos estão aumentando? Entenda.

Publicação: 15/10/2015

Os fenômenos climáticos extremos estão aumentando? Entenda.

     Quando a meteorologia enlouquece, muitas pessoas acham que é culpa das mudanças climáticas, e outras apostam que não passa de mais um capricho da natureza. Veja alguns números que podem ajudar a esclarecer essa questão.

     O ano de 2014 foi calmo – pelo menos no que se refere aos efeitos catástrofes naturais. Os noticiários podem até passar outra impressão, mas os números comprovam: no ano passado, morreram 7,7 mil pessoas vítimas de desastres naturais. A média dos últimos dez anos gira em torno de 97 mil; dos últimos 30 anos, por volta de 56 mil. “O fato de, no ano passado, catástrofes naturais terem provocado a morte de menos pessoas é – apesar da tragédia de cada caso individual – uma boa notícia”, diz Torsten Jeworrek, diretor da companhia de resseguro Munich Re.

     Desde a década de 1970, a resseguradora bávara Munich Re mantém estatísticas sobre danos provocados por eventos climáticos extremos – inundações, secas, granizo, baixas temperaturas ou furacões – e também por eventos geofísicos – terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas.

     A queda no número de mortos não é obra do acaso. Em muitas localidades, os sistemas de alerta funcionam melhor do que há alguns anos. “No caso de catástrofes naturais iminentes, as autoridades evacuam as pessoas para locais seguros de forma consequente, como, por exemplo, antes da passagem do ciclone Hudhud pela costa leste da Índia e do tufão Hagupit na costa das Filipinas”, completou Jeworrek.

     No entanto, observando o gráfico abaixo, também é possível constatar outro desenvolvimento: o número de desastres naturais vem crescendo aos poucos desde 1980.

     O ano de 2014 registrou um recorde com 980 desastres naturais, bem mais do que a média da década anterior (830) ou em relação aos últimos 30 anos (640). “Certamente, isso se deve, por um lado, às mudanças climáticas, mas também ao fato de que hoje tais eventos são muito mais fáceis de se observar”, explicou à DW Stefan Straub, do Departamento de Mudanças Climáticas e Energias Renováveis da Munich Re.

     “No entanto, não atribuímos eventos isolados explicitamente às mudanças climáticas, já que a ocorrência de cada evento também seria possível sem elas”, continuou Straub, “porém, é possível que haja eventos que sejam agravados pelas alterações do clima – por exemplo, uma maré de tempestade, que é acentuada ainda mais pela elevação do nível do mar.”

     No ano passado, 92% das catástrofes naturais com danos relevantes foram provocadas por eventos climáticos extremos. Assim, em 2014, terremotos, tsunamis e atividades vulcânicas tiveram papel secundário.

     Também chamou a atenção o fato de a temporada de furacões no Atlântico Norte ter sido relativamente inofensiva, disse Straub. Por outro lado, o período de ciclones tropicais no leste do Pacífico foi marcado por um número de tempestades acima da média, ressaltou o especialista, explicando ainda que a maioria delas, no entanto, não atingiu o continente.

     A situação foi diferente no noroeste do Pacífico. Ali, um número relativamente alto de tufões atingiu a costa japonesa, mas os danos foram poucos devido ao alto padrão das construções e à infraestrutura do Japão.

     Calmaria antes da tempestade? – O balanço do primeiro semestre de 2015 mostra uma situação bem diferente. Nos primeiros seis meses deste ano, mais de 16 mil pessoas morreram. Apenas o terremoto devastador no Nepal custou a vida de 9 mil pessoas. Justamente a força da natureza responsável apenas por uma pequena parcela do número total de mortos parece querer mostrar a capacidade de destruição de um tremor de 7,8 graus na escala Richter. “Muitas vezes, o número de eventos climáticos extremos e de catástrofes naturais é conduzido de forma aleatória”, informou Stefan Straub.

     Em seguida, sucedeu-se a terrível onda de calor na Índia, que provocou a morte de 3,6 mil pessoas. Embora tais ondas nessas regiões sejam normais no início do período de monções, temperaturas de 47°C são excepcionalmente elevadas até para os padrões indianos. Pouco vento acompanhado de alta umidade provocou um efeito ainda mais extremo.

     Mesmo que na comparação com 2014, esses números sejam assustadores, considerando a média de 46 mil mortos no primeiro semestre das décadas passadas, fica claro como a natureza foi imprevisível com todos os seus desastres e eventos climáticos extremos e ainda continua a ser – independente de estatísticas, sistemas de alerta e previsões.

     E as previsões não param. “Espera-se que o El Niño se acentue até o fim do ano e que diminua no início de 2016″. Um El Niño forte é seguido, geralmente, por uma fase de La Niña, lê-se no balanço anual da Munich Re. Ou seja: as condições climáticas típicas de uma região ficam ainda mais acentuadas. Entre os climatologistas, La Niña é considerada a irmãzinha de El Niño.

     E as mudanças climáticas?  Florian Imbery, do Departamento de Análises Climáticas do Serviço Meteorológico Alemão (DWD), também acredita que registros recordes únicos – incluindo tempestades, furacões e inundações – podem ser claramente atribuídos às mudanças climáticas.

     Em entrevista à DW, ele explica que é preciso observar os eventos em longo prazo, pois na pesquisa climática trabalha-se com períodos muitos mais longos, de mais de 30 anos. “Dois pontos são particularmente importantes: quando e quantas vezes acontece um evento? Qual foi a sua intensidade?”

     Segundo os climatologistas, nesse ponto se pode observar que, desde a década de 1990, por exemplo, as ondas de calor aumentaram consideravelmente nas cidades alemãs. “Mais uma vez, isso é algo que se pode atribuir claramente ao aquecimento global”, afirmou Imbery. E o aumento da frequência e da intensidade de períodos de calor é considerado algo praticamente certo.

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